Sivaldo Rios faz balanço do seu mandato e uma grande revelação ao FR

O prefeito Sivaldo Rios concedeu uma entrevista à Folha Regional no último dia 12 de dezembro, onde fez uma reflexão do seu mandato à frente da prefeitura e uma grande revelação ao falar das dificuldades que enfrentou ao longo do seu período como gestor da cidade.

Sivaldo Rios  e Reinan Moreira

Sivaldo assumiu a prefeitura em abril de 2012, quando a então prefeita Lydia Fontoura Pinheiro, alegando problemas de saúde, renunciou ao cargo, e Sivaldo, na condição de vice-prefeito, assumiu os rumos do município, vindo a ser reeleito no mesmo ano, vencendo seu adversário com mais de 3 mil votos de frente. 

Sivaldo recebeu a equipe do Folha Regional no gabinete da prefeitura e falou sobre vários temas, candidatura a deputado, multa do TCM, sua gestão e o que deixa para o próximo gestor, além de revelar que pensou até em renunciar ao cargo. Confira a entrevista.

1ª - FR: qual era a real situação da prefeitura quando você assumiu?

Sivaldo: o  desafio foi grande,  primeiro o processo eleitoral, como todos sabem, teve um período em Capim Grosso com quatro prefeitos em um  ano, então a gente teve que administrar com um olho na prefeitura e o outro no judiciário, pois não tínhamos a convicção de que iríamos continuar. Quando realmente a Doutora Lydia assumiu, o tempo era muito curto para implementarmos as nossas ideias e trabalhar uma reeleição, pois em 2012 já tinham novas eleições e esse era o projeto do grupo político que nos apoiava, ela como prefeita e eu como vice. Mas com os problemas de saúde, a Doutora decidiu renunciar, eu pedi para ela continuar mais um pouco, mas entre a prefeitura e a saúde ela tomou a decisão correta e optou pela saúde. Assumi em abril de 2012, já para reeleição, então tinha um temor, pois não dava para implantar aquilo que nós queríamos, tentamos já administrar com o nosso jeito, com a nossa cara, e a população de Capim Grosso nos deu a maior vitória da história da cidade e região, isso nos ajudou muito para que pudéssemos tomar medidas impopulares naquele momento, mas necessárias. Houve algo que foi muito importante, eu tive o apoio dos vereadores e dos ex-prefeitos, isso me deixou imune a qualquer tipo de pressão, eu sabia onde eu queria chegar, então tomamos as medidas necessárias para Capim Grosso poder crescer, porque o que nós encontramos foi o caos, herança de uma gestão anterior falida, que não pagava INSS, conta de água, luz, Pis, Pasep, que sequer tinha um telefone. Parece simples, mas a prefeitura não tinha um telefone para que os órgãos de governo pudesse entrar em contato. Havia um orelhão na frente do prédio, não tinha praticamente um veículo, não pagava terço de férias a funcionário, nem férias. Houve dois concursos em um mandato e meio, o que inchou a prefeitura de funcionários e deixou a administração inviável, mas implantamos as medidas e hoje o município é um dos mais organizados da Bahia graças aos secretários e a equipe que vestiu a camisa e entendeu que a gente tinha que dar uma nova cara. Foi possível? Foi, mas foi muito difícil.

       

2ª - FR: em algum momento você pensou em desistir?

Sivaldo: sim, eu pensei em renunciar, eu não tenho vergonha em dizer isso, essas ações que a APLB entrou contra município,  a dificuldade que eu enfrentei na gestão, de ter que organizar a casa, de ter que tocar o município, justificar o crédito que as pessoas me deram, certo, então pra mim, naquele momento foi o mais difícil da gestão, momento da greve dos professores, momento em que os professores tinham um plano de cargo de salário inviável, não só para Capim Grosso, era inviável para qualquer município da Bahia. Nós fizemos muitas pesquisas, em que universidades federais do país não pagavam o salário desses profissionais. Os professores de Capim Grosso estavam ali sem receber. Então naquele momento, a Justiça local deu ganho de causa aos professores, nós recorremos ao Tribunal de Justiça, se a gente não ganha aquela ação eu teria renunciado ao cargo de prefeito sem ter nenhuma vergonha, pois não tinha como administrar, eu não ia ficar sendo prefeito do município sem poder pagar as contas, sem poder pagar os próprios professores, sem poder manter meus funcionários em dia, então, essa era a realidade, um caos total, Capim Grosso estava à beira da falência. O grande desafio do nosso governo foi aquele enfrentamento. E a coragem que os vereadores de Capim Grosso tiveram, certo, aquele momento difícil, a gente sabe que muitos deles pagam um preço nas ruas, dos que não entenderam aquela dificuldade, ninguém tem prazer em baixar salário, naquele momento foi necessário uma medida corajosa. Eu brincava que tinha dois campos: ou fazia ou corria. Preferi fazer, mas se eu não tivesse feito isso, eu teria “corrido”, teria explicado à população, e já estava na minha cabeça a fala pronta, exatamente como seria a minha renúncia, entregaria a chave à APLB e  ao Judiciário para eles poderem administrar o município, essa era a realidade  de Capim Grosso. Conseguimos melhorar o plano de cargos e salários, passou a ser para todos, o que antes só contemplava 60 profissionais. A gente organizou a questão do INSS, que foi a maior conquista de Capim Grosso, manter as certidões, porque todos esses convênios nos só conseguimos firmar e outros tantos já estamos firmando. Esse ano mesmo nós já estamos firmando convênio com o Governo Federal, o primeiro do Senador Otto de Alencar de aproximadamente 1 milhão de reais para pavimentação. Um dos grandes troféus que quero entregar à Dra. Lydia são, de fato, as certidões do município para que ela possa tomar o município com toda dificuldade que vai ter em 2017, mas que ela possa ter um município com uma perspectiva de crescimento melhor.

 

3ª - FR: quais foram os avanços que o município conseguiu na gestão do prefeito Sivaldo Rios?

Sivaldo: a nossa gestão é uma continuação da Dra. Lydia, nós tivemos no IDEB do município avanços que meche com a vida das pessoas, nós temos avanços na educação e na saúde, como o PEMAC. Fomos avaliados pelo Ministério da Saúde e estamos acima da média nacional, nós implementamos vários programas de governo como Melhor em Casa, CEO e qualificamos a UPA. Na educação, o NAEPI, que é cuidar de pessoas excluídas da sociedade, transportes para alunos fazerem faculdades, Ballet, Academia de Saúde para cuidar dos idosos. São programas que mudou a vida das pessoas. O mais importante foi recuperar a autoestima do capimgrossense, as pessoas voltaram a ter orgulho dessa terra, tantos os que estão aqui, quanto os que estão morando fora, as pessoas me param para elogiar e isso foi para mim uma grande conquista. 

 

4ª - FR: o Prefeito recebeu uma multa do TCM por conta de gastos pessoais, a oposição diz que você refez planos de cargos e salários para pagar menos, então por que excedeu os gastos?

Sivaldo: essa questão dos gastos talvez seja mudada agora, a partir de 2017, Capim Grosso cresceu, e desde a gestão de Pinheiro vinha recebendo dinheiro do Governo sobre um índice de 1.4 e agora passa a receber 1.6. Nós conseguimos aumentar este índice, mas o município não pagava o INSS nem PASEP, nem terço de férias e a partir do momento que passamos a pagar, fez com que houvesse um aumento de 20% só de INSS, isso excede essas despesas com pessoal. Vou entrar na justiça, pois é injusto eu ter que pagar uma multa por ter melhorado a gestão do município, porque diminuímos os salários mas não diminuímos os investimentos em saúde, educação e na cultura, exemplo disso são as fanfarras do município. Eu estou muito tranquilo, pois quem se candidata a prefeito se candidata a ter multa pelo TCM.

 

5ª - FR: qual é sua expectativa em relação à gestão de Lydia?

Sivaldo: a minha expectativa é a melhor possível, eu poderia estar com o pé atrás como fazem a maioria dos políticos. Doutora Lydia está focada na gestão, está aprendendo a administrar, o sofrimento que a mesma teve nessa cadeira por tentar fazer as coisas e não conseguir pelo momento de instabilidade que ela passou, fez com que a Doutora aprendesse. Ela está se preparando, acompanhando cursos e palestras em Brasília, Salvador, conversando com as pessoas, hoje se vive uma outra realidade, hoje se caminha para uma profissionalização da gestão, acho até que vão mudar o nome de prefeito para gestor, a maior empresa do município é a prefeitura, então o gestor tem que se capacitar para resolver problemas, hoje tem que se administrar pensando na população e não em meia dúzia do grupo político. Acredito que a Doutora Lydia fará uma administração altamente técnica, ela está focada e se preparou para isso.

6ª - FR: você pretende sair candidato a deputado nas próximas eleições?

Sivaldo: meu projeto político está na geladeira, eu não tenho pretensão, existe por parte da população de Capim Grosso, independentemente de ter votado em mim, que entende que eu represento um nome para defender os interesses da região. Agradeço o reconhecimento do trabalho, mas o sistema político do país está falido, então não pretendo, não quero pensar nisso no calor do fim de mandato, vou esperar para ver se vou continuar na vida política, vou pensar em minha vida pessoal e ver qual o caminho que vou tomar em 2017. Dizem que na vida e na política a gente nunca deve dizer nunca, mas no momento eu não pretendo.

 

7ª - FR: quais os planos para o cidadão Sivaldo Rios a partir de 1º de janeiro de 2017?

Sivaldo: eu tenho conversado com a Doutora Lydia e me colocado à disposição, não de maneira oficial, mas voluntária, a ajudar no que for preciso na administração, esse é um compromisso não só com Lydia, mas com a cidade de Capim Grosso.  Pretendo cuidar mais da minha vida pessoal, eu digo sempre que nesses últimos anos eu cuidei mais dos filhos dos outros e que Deus cuidou dos meus, Deus foi generoso comigo, tenho dois filhos maravilhosos. Então pretendo cuidar mais da minha família, reorganizar minha vida, tenho 20 anos de empresa e nunca tirei 15 dias de férias, por conta dificuldade de conciliar administração pública e privada, vou cuidar da minha família.